Um certo dia a discutir futebol com um colega de trabalho, isto quando eu trabalhava, chegamos ao assunto de observar quem seriam os torcedores ilustres de cada time, o meu FLAMENGO e o dele o Fluminense, entre vários citados ele citou como o “maior” Chico Buarque de Holanda e eu citei entre os tantos, Jorge Benjor.
Bem, ai descambou uma discussão para identificar quem dos dois, Chico ou Jorge, era mais importante para a música brasileira. Como todos os apaixonados por Chico Buarque, o fundamentalismo musical bateu mais forte e o fato do Chico ser o representante dos que se dizem “Inteligentes” e da classe média brasileira, a representatividade da paixão do nobre colega se enveredou para a citação da variada obra do referido artista, que além de desfilar verdadeiras poesias em suas músicas também as colocou junto às tantas vertentes da arte. Afinal o Chico produziu músicas para embalar peças teatrais, filmes, novelas, etc..
Sempre argumento nestes episódios, que não são poucos, que a arte do Chico, embora observada por mim, antropologicamente, seja importante e de grande capacidade técnica, ao meu gosto nada diz, afinal ele remete em suas letras situações que eu jamais vivi, ou seja, nada diz a mim as letras e a música de Chico.
Mesmo argumentando de que a obra de Jorge é tão importante par a arte brasileira, principalmente por ter criado uma ritmo alternativo que mistura samba e funk e que influencia bandas atuais, como Skank, Paralamas, etc. Pois ao ouvir tais artistas percebemos o toque do “Jeito Benjor” de fazer música.
Chico, embora tenha suas letras exaltadas por todos os que gostam da poesia, não é mestre musical no tocante a criar um estilo (ritmo) que possa ser assinado por ele. Neste caso, prefiro Luiz Gonzaga a Chico Buarque.
Infelizmente o “Fundamentalismo” musical que toma conta destas pessoas, soa que há um “Céu” e que nele só entrarão os que amam a música de Chico, ou seja, o “Inferno” já está escancarado para mim.
Eu observo a música em duas situações: Uma – Como apreciador, observando apenas meu gosto, aquilo que me toca, me diz algo, sendo assim, Chico Buarque é peça nula, pois nada em sua obra me diz alguma coisa, até porque ele quando compôs, ou assim penso, não o fez para pessoas que tem a minha experiência na vida. Outra – Como observador, apaixonado pela arte musical, desta forma respeito a técnica e a qualidade das letras que ele produziu e sei da importância que ele tem para uma parcela da população brasileira e quiçá do mundo.
O que me entristece é que os seus apaixonados fãs não acreditam que possa haver arte em outra forma de expressão musical, pois não observam o lado sociológico e antropológico da música e pior que isto, desmerecem a quantidade de pessoas que gostam desta ou daquela música e as classificam como “Burras”.
O fundamentalismo musical é o que me faz tremer de medo do que pode produzir uma mente e me prepara para diariamente ficar atento a não cometer o mesmo fundamentalismo.
Apenas não gosto da obra de Chico Buarque de Holanda, se isto me faz um idiota, burro, assim serei até o fim dos tempos.

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