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Itabuna, Bahia, Brazil
Baiano, não soteropolitano, temente a Jah, amante da família, das mulheres, do Reggae, da cerveja e do FLAMENGO.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

DIA DO ROCK, e daí?

dia do rock - E DAÍ

Uma experiência pessoal…

Hoje é o dia do rock e quando vi em várias redes sociais a comemoração por parte de alguns, percebi que sou estranho neste ninho. Não tenho a mínima relação com o rock, que é um dos movimentos musicais onde a atitute e a relação social ficam bem expressas. Diferente da música clássica, por exemplo, que é apenas a música, a atitude rock é mais importante que a própria música, se observarmos a intenção do rock na sociedade ocidental.
O rock, embora eu nada conheça sobre o tema, passou a ser representante deste modo ocidental de ser, mais basicamente o jeito norte americano de ser.
Quando vi pela primeira vez os Beatles na *Televizinha, não me incentivou em nada, achei quatro viadinhos com franjinha.
Meu primeiro contato com a música americana, portanto a música estrangeira, foi na casa da minha madrinha emprestada, ouvi a música da big band de
Glenn Miller. Na tv vi pela primeira vez o Sammy Davis Jr. e ai sim eu me amarrei, o som e a imagem tinha haver comigo.
Mesmo ouvindo James Brown com os amigos do meu mano, sempre me preocupei mais em ouvir a Banda de Pau e Corda, Luiz Gonzaga e outros artistas brasileiros, a música me parecia mais interessante, É evidente que até ai eu não me preocupava com o movimento, até porque eu não tinha informações sobre estes movimentos, só curtia a música e pronto, não tinha a consciência social de ouvir o forró de Luiz Gonzaga.
O primeiro contato com uma música e sua atitude foi com o reggae quando ouvi pela primeira vez o Third World, ai sim eu estava em casa, ligando imagem, melodia e atitude, só a letra não me importava, pois não sei inglês, mas a forma de passar a mensagem é universal.
Sempre tive a visão de que o rock é uma música (estilo) que cabe bem aos que são da classe média e que a mensagem não reflete a minha vida real. Inclusive o Dinho Ouro Preto, em entrevista a Marília Gabriela, revelou que luta sempre para mostrar a mais pessoas o seu rock e que discorda dos seus colegas rockeiros que se esquivam de tocar para as platéias populares.
Com tudo isto eu não sei o que comemorar neste dia do rock, embora saiba que ele embala e embalou a vida e sonhos de uma parte considerável da população brasileira, tenho a nítida consciência de que não me trouxe nada e nem trouxe para uma parte maior ainda da população, pessoas que como eu, não tem identificação com o rock, com sua atitude “Rebelde sem causa”, com seu discurso e com sua melodia.
É evidente que existem algumas páginas musicais do rock que me fazem bem, músicas que me remetem a algo, mesmo que a idéia inicial não seja isto, uma música de Black Sabbath aqui, outra de AC/DC ali, algo de Raul, Rita, ou seja, bem limitado o meu relacionamento com o rock.
Sempre quando ouço, leio e vejo críticas contra nova música, principalmente a do guetto, da classe pobre, percebo que os que criticam são da classe média e/ou rockeiros, que contaminados com a “Atitude rock” não entendem a leveza e a pluralidade da arte musical, quando esta mostra a vida de cada um. Como eles vão entender alguém ouvindo Amado Batista ou Psirico? O mesmo acontece comigo e muitos milhões de brasileiros que não conseguem entender a música rock, pois o sentimento está distante.
Eu sempre observo a música por alguns detalhes, tipo: Melodia, ritmo, atitude e representação social. São estes os elementos para classificar uma música como boa ou ruim para meu enlevo.
Parabéns ao rock, só que do lado de cá, da realidade brasileira, nada temos a comemorar.
Parafraseando o Antonio Carlos Gomes Fontenelle Fernandes, na música À palo seco
- Tenho quarenta e seis anos de sonho e
De sangue e de América do Sul.
Por força deste destino,
Um forró nordestino
Me vai bem melhor que um rock…

 

*Televizinha – Televisão na casa da vizinha.



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