Não sou do tipo saudosista, muito pelo contrário, aceito de bom grado as novidades, mas creio que as novidades que não são calçadas na tradição, prede-se pelo caminho. - "QUEM ESQUECE O PASSADO NÃO MERECE O FUTURO" (Xhundha).
O carnaval, esta festa que aprendemos a fazer com os europeus e que demos uma cara totalmente nossa e em cada região, cada cidade brasileira tem uma personalidade diferente, vem perdendo seu principal dispositivo, que é , ao meu observar, a simplicidade e congraçamento.
No Rio de Janeiro e Salvador, principais polos de difusão da festa, sem esquecer Recife, Porto alegre, etc. Tem havido mudanças que ferem a esta simplicidade por mim citado.
No Rio o principal marco deste massacre da leveza e do lado lúdico do carnaval é o desaparecimento do carnaval de rua e o enclausuramento das escolas de samba. Claro que se tornou um show bussiness, “Coisa para gringo ver”, mas perder o compasso do samba que virou uma marcha rancho e depois partiu para algo indescritível em termos de compasso e cadência, tudo por conta do tempo de apreentação ou sei lá o quê, é complicado.
Além disso a coisa da escola perdeu-se, pois nos passava a idéia de que cada escola iria mistrar suas criações no samba, batidas diferentes, samba no pé com inovações, etc. Cada quesito para diferençar e determinar que aqueles indivíduos pertenciam aquela escola e/ou comunidade.
Com o evento tomando proporções mundiais, passou-se a comprar passistas, mestres-salas, porta-bandeiras e madrinhas de bateria, estas sempre mulheres que nada tem a ver com a comunidade e são famosas em outras áreas e/ou apenas “popozudas”.
Aqui não tem nenhuma crítica a estas questões, apenas constato que a essência foi para as “Cucuias”, apenas isto e isto é vero.
Em Salvador, que falo com mais propriedade, tínhamos um espaço aberto para as mazelas sociais serem denunciadas com bom humor e para que se estravazassem todas as dores do dia-a-dia.
O poeta escreveu e o mundo cantou: “…A praça Castro alves é do povo…”, em uma clara menção de que o carnaval era do povo, totalmente do povo e sendo assim debaixo do sol todos se tornavam um cidadão comum.
Hoje em Salvador vemos jogadas de marketing mostrando artistas de outras praças e de outros estilos brilhando mais que os artistas que deveriam representar a verdadeira música soteropolitana, mas esta, está cambaleante.
Para onde foi o povo de salvador na hora da festa? Vá até a ilha, vá até os bairros e o encontrará.
Esta festa nos bairros que é um capítulo a parte, pois se alguns acham que é uma forma de manter o cidadão de baixa condição financeira mais perto da sua casa, tem uns que acreditam que é para se resgatar a ess~encia do carnaval de outrora, já eu tenho a certeza que a ideia é não mostrar este povo para o mundo e quanto mais “Gente bonita” eles mostrarem nas várias TVs que fazem cobertura, melhor.
Solução não há para isto, pois foi para onde desembocou o rio, o rio da ganãncia e da necessidade de fazer algo sempre parecido com a europa, esta ânsia do povo brasileiro de querer ser europeu a qualquer custo.
veremos cada vez mais o carnaval perendo a essência e no lugar dele aparecendo outra oisa que as pessoas ainda insistem em chamar de carnaval.
Ai você que leu até aqui o texto pode imaginar que estou desprezando esta nova festa e que nada há para que eu cite como coisa boa, lêdo engano, eu observo coisas boas e acredito que com boa organização, estes que foram colocados para fora da festa, possam fazer uma festa dos excluídos, desta feita rodeada de condições para que ela não seja mais roubada e transformada.
Para mim o carnaval era uma festa de alegria, festejo descompromissado e a forma de se livrar dos duros dogmas e imposições que a sociedade nos empurra goela abaixo, mas hoje ele se transformou em meio de vida para muitos e muito profissional para outros tantos, a ponto de gente brigar e matar por isto…
A alegria se foi do carnaval e a festa é outra…
Nos dois textos a seguir eu demonstro como era a minha visão do carnaval quando tinha 17 anos e como o vejo agora.
AOS 17 ANOS…
- CHEGOU FEVEREIRO
JÁ ME DÁ UM FRISSON
É TEMPO DE ESTAR NA AVENIDA
E FESTAR O NOSSO AMOR
ME ESPERA NÃO DEIXA EU IR SÓ NÃO
ME ESPERA EU QUERO SER O SEU AMOR
PRA DANÇAR
AO NASCER E PÔR DO SOL
PRA CANTAR
NA AVENIDA E SENTIR
O BATUCAJÉ DO TAMBOR
ENTÃO BEM
TUDO BEM
TODAS AS PEÇAS DESTA VIDA
DO MAIS FAMOSO AO ZÉ NINGUÉM
SE TRANSFORMAM SOB O CÉU
EM UM FOLIÃO MEU BEM
Hoje aos 47 anos…
CARNAVAL
Foi ali que eu te encontrei
Me apaixonei
Vestida de fantasia
Com quem você se parecia
Nem sei
Quem dera
Todos os dias
Fossem carnaval
Você vestisse aquela fantasia
E tudo voltase ao normal
Cadê aquela fantasia?
Por onde anda voce que eu conhecia?
Quem dera todos os dias
Fossem carnaval
Te ter linda e sensual
Não gostei da fantasia
Da vida real
Quem dera todos os dias
fossem carnaval
Você vestida com aquela fantasia
Que te fez divinal
Quem dera fosse hoje
CARNAVAL…
